quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Das ilusões
Tudo parece fazer tanto sentido, mas um sentido tão cruel, uma coisa tão desesperadora...
Venha minha criança, não cresça, diga pra mim que não construiu no seu intimo esse edifício absurdo do ego ressentido humano, não faça pó do ouro que te tenho guardado há anos.
Fugir de toda essa neurose, toda essa batalha que luto sozinho parece impossível.
Essa ligeira felicidade cinza da tepidez de todas as manhãs, tão iguais umas as outras, são cruéis. A noite é simplesmente impiedosa. O que se faz quando nada consola?
Essa dor lancinante, essa inquietude, essa eterna inconformidade.
Todo esse silêncio me corta ao meio, ninguém parece ser capaz de oferecer uma luz.
http://youtu.be/NQ4hQD1V1Zc
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Sentido
Momento em que se é necessário fazer algo
Se vai tentar
siga em frente.
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.
Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...
A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Uma pequena história
Remexendo alguns papeis avulsos da abandonada escrivaninha de meu pai encontro um artigo que parecia nunca ter sido publicado. Não tinha título nem parágrafo.Parecia ter sido escrito as pressas.Eis o que estava escrito:
Quero vos contar uma pequena história.
Uma vez um homem casado contraiu um forte laço de amizade com uma mulher solteira. Esse laço de amizade evolui e ambos se apaixonam um pelo outro. Esse amor se torna algo absurdo, ambos descobrem um sentimento nunca dantes vivido por nenhum dos dois. O homem casado sente a liberdade de contar coisas sobre si que nunca tivera coragem de contar para ninguém, assim como sua amante. Ele reclama da esposa e diz que a vida de casado é uma droga, que já não suporta viver com a esposa e que sua vida anda de mal a pior, sua esposa só sabe tratá-lo com desprezo e ignorância, mas em nada disso ele mostra que de fato irá se divorciar. O caso dura dois anos e meio e a amante nota que nada daquilo vai mudar, digam-me o que ela deveria fazer? E se esse caso durasse mais dois anos e meio e nada de mudança, o que ela deveria fazer? Digamos que toda vez que ela tentava acabar com aquele relacionamento, que estava se tornando tóxico, o homem casado sempre vinha rastejando atrás dela, se mostrava o homem dos sonhos de qualquer mulher e por fim ela acabava voltando atrás, pois sentia que de fato não podia viver sem ele. Digamos ainda que essa insistência só era possível quando ela estava por perto, que se ela se mantivesse afastada nenhuma ligação receberia. Como ela deveria proceder?
Nesse meio tempo o homem casado constrói outros laços de amizade que se tornam cada vez mais estreitos, ele começa a sair vez por outra com seus amigos, enquanto ela espera uma ligação para encontrá-lo sempre olhando por horas o telefone que nunca tocava. E se ele chegasse mesmo ao absurdo de ficar a sós ao lado dela sem dizer uma palavra, apenas mandando mensagens para os amigos? O que esta moça deveria fazer.
Mas então algo de fato acontece, o homem casado tem uma briga absurda com a esposa e sai pela porta da frente. A amante, mesmo percebendo como ele esfriara com ela tem uma súbita esperança de que finalmente serão felizes. Então ela pergunta a ele se ele ainda a ama, mas para a surpresa (ou não) de muitos ele simplesmente diz "não sei, está acontecendo muita coisa na minha vida agora, deixa eu arrumar a minha vida primeiro" como ela deveria reagir a isso? E se ela vagasse desvalida pelas ruas noturnas tentando entender o que aconteceu e não achasse resposta? Será mesmo possível que exista uma mulher que tenha tão baixa auto-estima?
E se num surto de desespero ela estourasse os miolos com a arma do tio guardada em casa? O que vocês meus caros leitores iriam achar de uma pessoa como essa? Como ela deveria ter agido desde o começo? Talvez eu nunca saiba, mas o que não deixem de tirar suas próprias conclusões.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Para você
Havia um tempo em que eu acreditava ser impossível viver longe de você, por mais que eu devesse ficar longe de tudo isso. Mas estou te escrevendo isso porque hoje foi o primeiro dia em quase seis anos em que eu acordo e meu primeiro pensamento não é você. E pelo que parece você também está bem sem mim. Talvez eu nunca mais vá viver algo parecido, mas o grande trunfo é saber que já não existe mais aquela puta dependência.
Talvez nosso grande erro tenha sido se importar, pessoas que se importam não vivem felizes para sempre, por mais que tentem. Mas afinal o que estou dizendo, ninguém pode ser feliz para sempre, ao não ser os telespectadores da Globo.
Depois de tudo isso é estranho olhar para trás e ver como a alma do ser humano pode ser volúvel, ou talvez isso nem seja volubilidade. O importante é saber que nós, seres humanos dessa era, vivemos de uma maneira muito desesperada, corremos o tempo como se tivéssemos a real idéia de que podemos morrer a qualquer momento, quando na verdade sabemos que vamos viver para sempre. E com isso vem aquela necessidade de acreditar em algo que nunca vai mudar, algo que vai nos acompanhar, porque vamos viver tanto e tantas coisas mudam e no final o que sobra?
Por um momento, um curto espaço de tempo de quase cinco anos, pensei que houvesse algo que fosse assim, que me acompanharia durante toda essa minha jornada eterna, mas como sempre recaio naquele velho niilismo, tão juvenil e tão preconceituoso, mas que parece tão real, e que aos poucos ganha novas cores e novos sentidos.
No final das contas tudo não passa de admitir sua parcela de hipocrisia e conformismo. Tentar ao menos fazer uma idéia do que é o mundo que nunca vamos conhecer na sua totalidade, nunca se fechar nos nossos mundinhos de verdades preconcebidas e cagadas pelo tempo como os cristãos ou ácidas e neuróticas como as dessa minha geração Cult.
Mas você deve estar se perguntando “mas que porra afinal de contas você está falando?”. Você sempre me disse que às vezes eu falo como filósofo, eu também me perco às vezes no meio de tantas asneiras que digo. Enfim, essa carta é sobre ver as coisas de modo diferente, é sobre não acreditar numa cultura de pessoas desesperadas por uma felicidade eterna, pois ninguém está aqui pra ser feliz eternamente. Mas talvez consigamos viver mais em paz se olharmos para isso, ao invés de escamotear isso numa utopia monótona de comercial de margarina.
Tenha uma boa vida e que essa cicatriz se feche logo.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Uma outra visão sobre Bukowski.

O outro lado de Bukowski.
Amado por todos os nossos jovenzinhos metidos a marginais , niilistas, beat nicks e etc. Com estilo único que se assemelha num primeiro momento ao movimento beat, com narrativas escatológicas, pintava um quadro bastante interessante, de uma ralidade que muito de seus leitores jamais irão saber o que é, Charles Bukowski é chamado por muitos como “ o ultimo escritor maldito” ,”velho safado” ou “o ultimo dos beats”.
Mas o que realmente se pode dizer de Bukowski? Uma vez ouvi alguém dizer que ele “fazia uma descrição de como a sociedade realmente é”, mas de qual sociedade estamos falando e de que perspectiva estamos olhando para ela? Ainda mais hoje em dia em que a grande maioria dos leitores de Bukowski são jovens que anseiam por qualquer quebra paradigma, pois na alienação absurda de idéias consumistas na qual vive o “foda-se o moralismo” é um dizer doce, mesmo que não se faça a menor idéia do que se está falando.
Bukowski foi um escritor muito bom, no entanto seus leitores parecem que vêem significados em suas obras onde simplesmente não há. Já ouvi falarem que o texto dele tinha caráter anárquico, lírico e até mesmo naturalista já cheguei a ouvir. Parece que tentam encontrar justificação para que terem o direito de chamar Bukowski de “um puta escritor”, e essa justificativa por si só constitui um movimento contraposição admiração da obra de Bukowski.
Se a maravilha da obra de Bukowski é não ser mais um livro elitista europeu, por que raios se fala dele como se escrevesse como Machado de Assis? Ele tinha uma estilo livre e despreocupado, uma leitura leve e histórias escatológicas e cotidianas e ponto! Fruto de uma mente que teve sua noção afetada devido ao tão conhecido isolamento social que sofreu devido às inflamações que tinha na pele. Assim a “descrição da realidade como ela é” vem de um principio explicitado por Balzac “...quanto mais esquecido pela sociedade o individuo é, mais magnânimo ele a julga”
Mas é mais bonito falar de retrato social americano dos anos 40 aos 80, pintado por Bukowski, (bêbado, boêmio hedonista e criador de narrativas de caráter egocêntrico), num bar qualquer com uma cerveja na mão e uma camiseta preta de qualquer, de uma banda que a mídia da alienação ignora, do que falar de a mesma coisa do Mv Bill com o livro “Cabeça de Porco”, do que falar de um retrato da ATUAL sociedade brasileira, baseada não numa visão subjetiva sobre a sociedade, mas em dados e depoimentos do que sofrem diretamente com tal “retrato da sociedade como ela realmente é”. Pelo mesmo motivo que não se tem o Mv Bill no playlist dos meus amiguinhos alternativos dos barezinhos intelectuais do centro.
Mais cômico ainda é a maneira como se argumenta academicamente a militância anti-acadêmica que se subentende na obra de Bukowski, quando na verdade, ele morreu escutando música clássica, tomando whiski e se doendo a cada livro publicado por nunca ter ganhado o premio Nobel.
“Em meu coração existe um pássaro que quer sair
Gosto muito de Bukowski, mas não falo dele como se tivesse lido uma da melhores obras anarquistas, ou um puta romance filosófico para falar que eu leio um puta esritor.
Opinião quero, não hipocrisia de justificação burguesa.